Resenha do curta "Temporal" de Maria Continentino.
A retrospectiva de uma vida, o tempo percebido; o tempo passado percebido. O curta “Temporal” de Maria Continentino mostra o devaneio de uma mente cansada, que lembra os fatos vividos com certa melancólica saudade. Mostra a ação do tempo, o passado e o presente se confundem: o resultado não poderia ser melhor.
A visão de um jovem, apoiado e com as mãos sobre o rosto, faz com que um velho homem inicie uma viagem introspectiva. Assim como no filme “Morangos Silvestres” de Bergman, o velho lembra a infância, os amores e as mágoas. E através dessas lembranças, renasce. Desde o tempo que não parece passar, da infância, até a descoberta dos amores, da mulher e da sensibilidade de uma relação. Tudo aparece diante dele.
A Atmosfera hipnótica que é criada devido ao modo como Continentino apresenta o tema, enfatiza ainda mais a questão do tempo. Sucessivas fotografias, sobrepostas em diferentes velocidades, de acordo com a música, tudo isso foi o ponto chave para a mística do curta.
E finalmente, na cena onde um menino vê o velho, o passado encontra o presente. E aquele sussurra, na tentativa de lembrar ao velho que já passou. Tudo se inverte e ele encontra o olhar do jovem. Percebe o tempo, percebe o tempo passado.
Antonio Hofmeister
terça-feira, 23 de junho de 2009
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