quinta-feira, 25 de junho de 2009

Resenha crítica do curta-metragem Temporal, de Maria Continentino, por Julia Pinheiro

A todo instante somos capazes de nos deparar com elementos que estiveram ou estão na nossa vida. E por que não também dos que estarão? Como saber se algo desconhecido até o momento não será necessário depois de algum tempo? O curta-metragem “Temporal”, de Maria Continentino, trata do presente, do passado e também do futuro, tendo um único personagem como fio condutor.

Através de uma narrativa não-linear, o mesmo personagem se encontra em momentos diferentes de sua própria vida. Por entre fatos singulares, ele se depara com elementos ora da sua juventude, se velho; ora da sua velhice, se jovem.

Ao utilizar o recurso das fotografias, substituindo a clássica câmera filmadora, a diretora já opta por um artefato que nos remete às lembranças, já que são memórias e representações de determinados momentos. Além disso, todas as fotografias são em preto e branco, o que leva ainda mais a uma associação com o passado.

As diferenças claras e extremamente bem pontuadas entre as três idades do personagem são perfeitamente visíveis em fotografias onde são valorizadas as mãos e os rostos (como na seqüência em que há a troca de roupa, ou a das mãos coladas ao vidro). A mão da criança, ainda não definida, opõe-se à mão do velho, já cheia de rugas, assim como os rostos no espelho, já nas cenas finais.


Os múltiplos encontros entre a criança, o homem e o velho evidenciam o presente junto ao passado ou ao futuro. É como se eles pudessem interferir no que já foi ou no que virá, quando, na verdade, estão ali somente como espectadores, como se fossem apenas elementos que também estavam ali em outra determinada parte do tempo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário