A todo instante somos capazes de nos deparar com elementos que estiveram ou estão na nossa vida. E por que não também dos que estarão? Como saber se algo desconhecido até o momento não será necessário depois de algum tempo? O curta-metragem “Temporal”, de Maria Continentino, trata do presente, do passado e também do futuro, tendo um único personagem como fio condutor.
Através de uma narrativa não-linear, o mesmo personagem se encontra em momentos diferentes de sua própria vida. Por entre fatos singulares, ele se depara com elementos ora da sua juventude, se velho; ora da sua velhice, se jovem.
Ao utilizar o recurso das fotografias, substituindo a clássica câmera filmadora, a diretora já opta por um artefato que nos remete às lembranças, já que são memórias e representações de determinados momentos. Além disso, todas as fotografias são em preto e branco, o que leva ainda mais a uma associação com o passado.
As diferenças claras e extremamente bem pontuadas entre as três idades do personagem são perfeitamente visíveis em fotografias onde são valorizadas as mãos e os rostos (como na seqüência em que há a troca de roupa, ou a das mãos coladas ao vidro). A mão da criança, ainda não definida, opõe-se à mão do velho, já cheia de rugas, assim como os rostos no espelho, já nas cenas finais.
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