
Um desejo recorrente meu é querer viver dentro de um dos filmes de Fellini. Daqueles onde Marcello marca desencontros com as mais bonitas mulheres da Roma dos anos 50, ou então no do cineasta frustado Snaporaz em Otto e Mezzo. Apesar de minha preferência mudar constantemente, Fellini é agora meu cineasta favorito.
Achei um livro, no fundo do armário do meu pai, chamado "Fellini por Fellini - vida, obra e paixões do grande cineasta, contadas por ele mesmo." O livro é de 74, ele tinha acabado de terminar Amarcord e ainda nem sequer pensava em A cidade das mulheres.
Só uma passagem:
"13. A improvisação é uma miragem que engana os ignorantes sobre a técnica necessária a todo trabalho de criação. Consideram a inspiração como uma espécie de milagre, de estado de hipnose que dispensaria, de certo modo, toda preocupação material. É preciso acabar com esta lenda do artista inspirado que vive fora do mundo. O artista é responsável pelo que faz. Deve pôr sua lucidez a serviço de um trabalho rigoroso, respeitando, ao mesmo tempo, a lógica de seus personagens, a dinâmica de seu filme, e os imperativos técnicos que ele pressupõe. A improvisação se reduz a uma certa forma de sensibilidade às exigências do momento, por exemplo quando se trata de mudar alguma coisa no último instante. Em resumo, ela só afeta o detalhe. O conjunto deve ser conduzido com uma precisão matemática. Fazer um filme necessita uma organização muito complexa que implica decisões a todo momento. É preciso decidir centenas de vezes por dia, sobre o enquadramento, sobre os personagens, a luz, a data da filmagem, a cor da roupa de determinado ator, as palavras que pronunciará um outro, o tipo de câmera que convém utilizar... (...) Se tudo isso não estiver inscrito em uma ordem matemática pode-se imaginar facilmente que nunca haverá filme."
Antonio
Achei um livro, no fundo do armário do meu pai, chamado "Fellini por Fellini - vida, obra e paixões do grande cineasta, contadas por ele mesmo." O livro é de 74, ele tinha acabado de terminar Amarcord e ainda nem sequer pensava em A cidade das mulheres.
Só uma passagem:
"13. A improvisação é uma miragem que engana os ignorantes sobre a técnica necessária a todo trabalho de criação. Consideram a inspiração como uma espécie de milagre, de estado de hipnose que dispensaria, de certo modo, toda preocupação material. É preciso acabar com esta lenda do artista inspirado que vive fora do mundo. O artista é responsável pelo que faz. Deve pôr sua lucidez a serviço de um trabalho rigoroso, respeitando, ao mesmo tempo, a lógica de seus personagens, a dinâmica de seu filme, e os imperativos técnicos que ele pressupõe. A improvisação se reduz a uma certa forma de sensibilidade às exigências do momento, por exemplo quando se trata de mudar alguma coisa no último instante. Em resumo, ela só afeta o detalhe. O conjunto deve ser conduzido com uma precisão matemática. Fazer um filme necessita uma organização muito complexa que implica decisões a todo momento. É preciso decidir centenas de vezes por dia, sobre o enquadramento, sobre os personagens, a luz, a data da filmagem, a cor da roupa de determinado ator, as palavras que pronunciará um outro, o tipo de câmera que convém utilizar... (...) Se tudo isso não estiver inscrito em uma ordem matemática pode-se imaginar facilmente que nunca haverá filme."
Antonio
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