quarta-feira, 27 de maio de 2009

Fellini por Fellini


Um desejo recorrente meu é querer viver dentro de um dos filmes de Fellini. Daqueles onde Marcello marca desencontros com as mais bonitas mulheres da Roma dos anos 50, ou então no do cineasta frustado Snaporaz em Otto e Mezzo. Apesar de minha preferência mudar constantemente, Fellini é agora meu cineasta favorito.

Achei um livro, no fundo do armário do meu pai, chamado "Fellini por Fellini - vida, obra e paixões do grande cineasta, contadas por ele mesmo." O livro é de 74, ele tinha acabado de terminar Amarcord e ainda nem sequer pensava em A cidade das mulheres.

Só uma passagem:

"13. A improvisação é uma miragem que engana os ignorantes sobre a técnica necessária a todo trabalho de criação. Consideram a inspiração como uma espécie de milagre, de estado de hipnose que dispensaria, de certo modo, toda preocupação material. É preciso acabar com esta lenda do artista inspirado que vive fora do mundo. O artista é responsável pelo que faz. Deve pôr sua lucidez a serviço de um trabalho rigoroso, respeitando, ao mesmo tempo, a lógica de seus personagens, a dinâmica de seu filme, e os imperativos técnicos que ele pressupõe. A improvisação se reduz a uma certa forma de sensibilidade às exigências do momento, por exemplo quando se trata de mudar alguma coisa no último instante. Em resumo, ela só afeta o detalhe. O conjunto deve ser conduzido com uma precisão matemática. Fazer um filme necessita uma organização muito complexa que implica decisões a todo momento. É preciso decidir centenas de vezes por dia, sobre o enquadramento, sobre os personagens, a luz, a data da filmagem, a cor da roupa de determinado ator, as palavras que pronunciará um outro, o tipo de câmera que convém utilizar... (...) Se tudo isso não estiver inscrito em uma ordem matemática pode-se imaginar facilmente que nunca haverá filme."


Antonio

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Curta-metragem "O Gaitista", de Antonio Hofmeister, Gabriel Duarte e Stephano Politi.
Selecionado para a Mostra Geração do Festival do Rio 2008. Ganhador do troféu Gomezito de Melhor Direção de Fotografia, no 7º Festival de Vídeo Estudantil e Mostra de Cinema de Guaíba, RS, 2008.

fotos do making-of de "Palavras ao Vento"




Curta-metragem Palavras ao Vento, de Carol Perdigão, Júlia Pinheiro, Betina Monte-Mor e Duda Perdigão. Seclecionado para a Mostra Geração, do Festival do Rio, em 2007!

FESTIVAL GIFFONI DE CINEMA

Cinco alunos do nosso Projeto foram selecionados para compôr o Júri do Festival Giffoni de Cinema, na Itália, de 16 a 27 de Julho. 

Sobre o Festival: (Texto traduzido do site http://www.giffoniff.it/)

"Giffoni Experience" é um Festival de Cinema diferente dos outros. É o maior festival da Europdedicado aos jovens , e um dos maiores do mundo.Durante o Festival 2.200 crianças e adolescentes de vários lugares do mundo (mais de 40 países: Israel, Palestina, USA, Coréia do Sul, Alemanha, África do Sul, entre outros) assistem a várias projeções, escolhem os vencedores e aprendem sobre o processo de realização de um filme. Os jovens estarão sempre juntos para conversar sobre os filmes e sobre suas experiências. Estes jovens convidados formarão o único Juri do Festival, e terão a grande oportunidade de aprender com diretores prestigiados, atores renomados, e uns com os outros."


O dia-a-dia de um membro do júri será composto de exibições de filmes, encontros com os convidados do Festival (Diretores e membros da indústria cinematográfica) e oficinas, de 10 às 19 h. Há ainda uma programação de atividades noturnas (shows e eventos), que ocorrerão das 21 às 24 h. Cada membro do júri terá a oportunidade de assistir, discutir e avaliar os filmes em competição (8 longas e 6 curtas), conhecer muitos atores, diretores e protagonistas (italianos e internacionais) do meio cultural.

Os participantes do Júri devem assistir a todos os filmes em competição, para estarem aptos a votar na premiação final - afinal, são eles quem decidirão quais serão os filmes vencedores! 


Acompanhe neste blog as futuras notícias desta experiência!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Ingmar Bergman e como começou a gostar de cinema.

Estávamos a poucas semanas do Natal. Jan, o motorista uniformizado da tal tia Anna que era imensamente rica, já nos trinha trazido uma quantidade de presentes que, como se tornara tradição, eram dispostos num cesto especial colocado junto ao presépio armado no vão da escada que conduzia ao andar de cima. Naquele ano um embrulho despertou a minha curiosidade: era retangular, de papel castanho onde se lia a palavra "Forsners". Forsners era uma casa de artigos fotográficos que havia na Hamngatsbacken e onde, além de máquinas fotográfias, também se vendiam cinematógrafos de verdade.

Ora, o brinquedo que eu mais desejava era justamente um cinematógrafo. Um ano antes eu tinha ido ao cinema pela primeiro vez na vida e vira um filme sobre um cavalo que se chamava Beleza Negra, creio. O filme se baseava na história de um famoso livro para crianças. Para mim foi o início de uma febre que até hoje não passou. Aquelas pálidas imagens silenciosas com os rostos voltados para mim comunicaram-se com os meus mais profundos sentimentos através de suas vozes mudas. Sessenta anos se passaram e nada mudou, minha excitação diante de um filme continua a mesma.


Ingmar Bergman, Lanterna Mágica