segunda-feira, 18 de maio de 2009

Ingmar Bergman e como começou a gostar de cinema.

Estávamos a poucas semanas do Natal. Jan, o motorista uniformizado da tal tia Anna que era imensamente rica, já nos trinha trazido uma quantidade de presentes que, como se tornara tradição, eram dispostos num cesto especial colocado junto ao presépio armado no vão da escada que conduzia ao andar de cima. Naquele ano um embrulho despertou a minha curiosidade: era retangular, de papel castanho onde se lia a palavra "Forsners". Forsners era uma casa de artigos fotográficos que havia na Hamngatsbacken e onde, além de máquinas fotográfias, também se vendiam cinematógrafos de verdade.

Ora, o brinquedo que eu mais desejava era justamente um cinematógrafo. Um ano antes eu tinha ido ao cinema pela primeiro vez na vida e vira um filme sobre um cavalo que se chamava Beleza Negra, creio. O filme se baseava na história de um famoso livro para crianças. Para mim foi o início de uma febre que até hoje não passou. Aquelas pálidas imagens silenciosas com os rostos voltados para mim comunicaram-se com os meus mais profundos sentimentos através de suas vozes mudas. Sessenta anos se passaram e nada mudou, minha excitação diante de um filme continua a mesma.


Ingmar Bergman, Lanterna Mágica

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